As rotinas de pesquisa devem ser vistas, na universidade, como oficinas cotidianas de produção teórica, um exercício formador dos sujeitos do saber que evoca a constante transformação dos conceitos à medida que a realidade se modifica. Contudo, “[...] o apego às velhas idéias parece uma enfermidade incurável”, posto que a aventura da pesquisa, a capacidade de conviver com a crise e com a crítica, e os riscos inerentes ao processo criativo são deslocados para as margens. A re-construção sucessiva de modos de ver o mundo depende de um olhar crítico: a capacidade de colocar em crise, de deslocar antigas teorias e de se deixar deslocar, experimentando o fato de que todo conhecimento é autoconhecimento. A invasão na universidade do fazer simplificador, destituído de reflexão, “repleto do que tido como útil e prático, destituído do que é ético e crítico”, obstrui a formação dos sujeitos do saber: os critérios para a concessão de valores à pesquisa estão vinculados à sua utilidade que, por sua vez, estão associados a um pragmatismo mercantil, afastando as tentativas de construção teórica dos fenômenos e, assim, de toda pesquisa como investigação transgressora que nasce da observação da realidade.

Publicado na revista AR nº2. Coronel Fabriciano: Editora do UnilesteMG, 2005.
ISSN 1806-7700.

pdf artigo completo

http://geografiaportatil.org/files/gimgs/57_contraturismo2.jpg
Renata Marquez. 2006