Coincidir jardim e obra de arte é uma estratégia que nos leva a pensar em pelo menos três aspectos: primeiro e imediatamente, há a experiência do deleite artístico; depois, há a problematização do museu como caixa-forte; e, por último, percebemos a prática multidisciplinar inerente à dedicação diária que a existência do jardim solicita. Deleite, júbilo e beleza são palavras que, não sem um sorriso de curiosidade, aparecem nas muitas conversas com os visitantes. Nada inesperado: no decurso da história, tais palavras tradicionalmente associam-se à experiência humana da paisagem – mas não à prática artística recente. Distinta de “realidade”, “entorno” ou “natureza” porque, mais profunda, múltipla e ficcional, a paisagem temporariamente intrusa no Museu materializa a ficção da paisagem, dá bela forma ao seu discurso cultural e aproxima-se dos espectadores destrancando o museu mausoléu. [...]

MARQUEZ, Renata (Org.). Museu:observatório. Eduardo Coimbra
Belo Horizonte: Museu de Arte da Pampulha, 2011. ISBN 987-85-98964-06-5

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Eduardo Coimbra, 2011