Resolvi abandonar os itinerários propostos pela Fundació Joan Brossa e traçar uma nova trilha, na qual eu poderia me perder conscientemente numa espécie de psicogeografia urbana . À psicogeografia interessam mais os espaços entre coisas e o próprio ato de mover-se no território do que os pontos fixados e, nessa prática, são – os espaços entre coisas – decisivos no rumo da trilha. Assim, saí buscando rascunhos de palavras na cidade que suspeitei perdidas por Brossa. Letras fugitivas, para lá dos itinerários impressos no livro. Rascunhos de poemas possíveis que se confundem com itinerários urbanos possíveis, numa justaposição de percepção e ação; letras que a paisagem da cidade carrega displicentemente na sua materialidade, por tempos esquecidos. Desse processo, resultou um álbum de matéria-prima e ready-made ao mesmo tempo. Para Brossa, un regalo. Para mim, o poder arquitetônico da construção efêmera da cidade brossiana. [...]

Publicado na revista Aletria nº15. Belo Horizonte: PosLit UFMG, 2007.
ISSN 1679-3749

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Renata Marquez. 2007