Não se iluda com os títulos sugestivos, os artistas desconhecidos, os curadores invejados, os nomes das galerias e museus internacionais à sua frente. Essas ficções bastante verossímeis são na verdade informações manipuladas livremente, anúncios reais desmontados e reconfigurados, imagens e imaginários (des)apropriados, repertórios pictóricos sampleados e pirateados.
O que lemos quando vemos? Enunciações invasivas (ou invasões enunciadoras) no mundo da arte, seqüestros coletivos de galerias e de artistas. Uma espécie de cartografia-pop da infraestrutura artística contemporânea (ou pelo menos a parte desta visível a olhos-nús daqui da periferia e disponível na banca de revistas preferida) em muros portáteis milimetricamente “grafitados” com códigos globalmente reconhecíveis. Uma globalização que, esquartejada aos pedaços, redesenha relações e espacializações. Pinturas replicantes que constroem um colóquio infinito do qual participam involuntariamente artistas, lugares e agentes do mercado da arte. Situações pictóricas que contestam e aderem à arte, que reforçam e anulam os seus meios. [...]

Publicado no volante da exposição de André Pereira. Belo Horizonte: Espaço BDMG, 2008.

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André Pereira. 2008
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