A tese de doutorado Geografias Portáteis é uma proposta de leitura crítica da arte contemporânea sob o ponto de vista da ciência geográfica. A partir da segunda metade do século XX, vemos emergir investigações artísticas que, cada vez mais, interceptam as questões epistemológicas do espaço físico e fomentam as suas possibilidades de transformação. Ao engajar uma ideia de arte que refuta o romantismo das obras autônomas e desconectadas do mundo vivido, esta tese é também uma proposta curatorial que entende a arte como veículo epistemológico, como meio de estudo e identificação do mundo. Neste contexto, não cabe à crítica de arte a tarefa de explicar a obra ao público, mas principalmente de propor leituras do mundo a partir do dispositivo da obra, estabelecendo interfaces da arte com a produção da cidade, do território, da cartografia e do espaço global. A ideia de geografia portátil surgiu através de uma série de obras que têm em comum o fato de veicularem um certo vetor de mutação do espaço e dos seus conceitos e de gerarem um certo conhecimento espacial, uma geografia coexistente à disciplina científica. A geografia portátil promove a capacidade de construção da qualidade poética e política da prática cotidiana, percebendo o que chamamos de alteridades do espaço: tudo aquilo que escapa ou é negligenciado como experiência de conhecimento pela objetividade científica. Os artistas apresentam práticas de travelogue ou diálogos audiovisuais de viagem, oferecendo manuais de navegação para a prática espacial cotidiana. Essas experiências permitem que, através de categorias e conceitos geográficos típicos – a expedição, a paisagem e o mapa –, a prática artística contemporânea seja encarada como forma de produção do espaço e a geografia seja expandida como prática cultural.

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http://geografiaportatil.org/files/gimgs/55_janelaburaco1170443795.jpg
Ricardo Basbaum. NBP (C.Ribas) 2007