A imagem é um elemento recorrente na geografia. Ela não é exatamente a realidade do espaço, é apenas uma manifestação deste, uma representação efêmera e aberta. Sua complexidade nos obriga a tecer cruzamentos com outras áreas do conhecimento tais como as artes literárias, as artes plásticas, a filosofia da percepção e a fisiologia do olhar e do compreender. As categorias geográficas de lugar, paisagem e território constituem intermediações possíveis entre a imagem e o espaço real. Mas o corpo insere-se nos lugares, esquadrinha os territórios, compara paisagens, tece a realidade vivida. A análise geográfica é contaminada pelo estar-no-mundo. A ciência das coisas concretas, segundo o paradigma da geografia moderna, deixa-se invadir por processos externos: categorias que ultrapassam as fronteiras disciplinares, conforme Milton Santos; metacategorias, conforme Cássio Hissa. Tais processos externos atravessam lugares, paisagens e territórios e imprimem neles temporalidades e significados móveis. Toda imagem é discurso, pois é o mundo praticado, a práxis do sujeito no mundo. As imagens são sempre pontos de vista, fragmentos de um todo que não existe independente de nós. A ciência geográfica é também uma geografia do corpo: o corpo produz conhecimento espacial. [...]

Publicado em FREIRE-MEDEIROS, Bianca e COSTA, Maria Helena Braga e Vaz da (Org.). Imagens marginais. Natal: Editora da UFRN, 2006.
ISBN 85-7273-313-2

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http://geografiaportatil.org/files/gimgs/15_paisaje-peq.jpg
Renata Marquez. 2008